Ex-diretor da Amigos da Terra discute o impacto da operação Carne Fraca no mercado nacional

O ambientalista, jornalista e ex-diretor da Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, Roberto Smeraldi participou nesta quinta-feira (24) do Programa Miriam Leitão, na GloboNews, e comentou a situação do mercado da carne no Brasil após a repercussão da Operação Carne Fraca deflagrada pela Polícia Federal e os problemas de inspeção e rastreamento existentes na cadeia agropecuária.

A apresentadora Miriam Leitão utilizou dados já apresentados pela organização em 2013, com a divulgação do Radiografia da Carne, que apontava os problemas nos diferentes tipos de inspeção agropecuário existente no país e as diferentes regras de fiscalização no território brasileiro. Smeraldi também afirmou que “há um problema de sistema na fiscalização, que é um problema que apontamos em 2013, que diz respeito inclusive aos diferentes tipos de fiscalização: federal, estadual e municipal”.

O Presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos, Péricles Salazar, também entrevistado, amenizou os problemas divulgados pela operação da Polícia Federal. Segundo ele as denuncias são “pontuais” e ressaltou que atos ilícitos são encontrados em todos os lugares. “Os fiscais em sua grande maioria atendem todos os requisitos que são definidos nas regras do Ministério da Agricultura, o que aconteceu foi absolutamente pontual”.

Smeraldi por sua vez ressaltou que há um conjunto de problemas que mostram a necessidade de atualizar o sistema de fiscalização e “independente dos casos específicos”, precisam ser enfrentados com uma atualização, já que o atual “foi feito para outro Brasil, um Brasil que não era nem exportador de carne, um país que tinha um padrão sanitário que hoje não se cogita”.

Ao apontar que a maior parte da produção de carne é consumida pelo mercado interno, Miriam Leitão questionou quais garantias o consumidor nacional teria da qualidade do produto. Salazar afirmou que o sistema não é falho, voltou a informar que se trata de problemas pontuais e atacou a divulgação da operação ressaltando o erro de que ácido ascórbico, uma substância fonte de vitamina C, foi dada como cancerígena pela polícia.

“Rastreabilidade é a transparência na cadeia”

Smeraldi defendeu uma reforma no sistema de controle da cadeia produtiva da carne, e uma etapa importante para que isso aconteça seria o controle dos indiretos: “que é o fornecedor do fornecedor. Hoje, o que está funcionando é o controle sobre a compra direta. Se você Miriam, desmatou na sua fazenda eu não compro da sua fazenda, eu controlo isso. Agora se comprou da fazenda do Péricles, um bezerro, que depois você engordou, dai eu não estou sabendo. Está faltando esse elo que é a origem.”, exemplificou.

“Rastreabilidade é a transparência na cadeia”, afirma o ambientalista. Para ele essa poderia ser uma solução sanitária, ambiental e econômica para a cadeia da carne no país.

Operação Carne Fraca

Nota à Imprensa

A Operação Carne Fraca deflagada sexta-feira (17) pela Polícia Federal reforça os estudos e atuação da Amigos da Terra – Amazônia Brasileira que desde 2007 tem realizado aprofundadas pesquisas sobre as cadeias da pecuária bovina, inicialmente na Amazônia e depois no Brasil inteiro.

Em 2013 o relatório a Radiografia da Carne no Brasil mostrou que um terço da carne que chega à mesa do brasileiro não passa por inspeção. Vídeos divulgados na época flagraram a omissão de veterinários que assinam certificados sem sequer estarem presentes ao abate.

Para Mauro Armelin, diretor executivo da Amigos da Terra, o episódio mostra que o problema ainda não foi solucionado e necessita de uma resposta urgente. “Criar um mecanismos de controle da cadeia produtiva da carne que seja transparente e único é o caminho mais seguro para que a sociedade saiba o que está consumido. E isso só será alcançado com o engajamento de empresas, sociedade e governos, que precisam dar acesso aos documentos de controle para que a sociedade e academia possam apoiar o monitoramento”.

Os diferentes padrões sanitários existentes no país só contribuem para as falhas no controle da cadeia produtiva da carne. A organização vem atuando conjuntamente com produtores, governos e representantes de toda a cadeia para que haja um padrão confiável e transparente que garanta a origem e qualidade do produto que chega ao consumidor final.

Contato para imprensa: site@amazonia.org.br

Amigos da Terra integra rede Produzir Conservar e Incluir

Para incentivar a economia de baixo carbono e combater as emissões de gases que causam o aquecimento global, o Estado do Mato Grosso lançou a Estratégia: Produzir, Conservar e Incluir. O programa estabelece metas de aumento da eficiência da produção agropecuária e florestal, conservação dos remanescentes de vegetação nativa, recomposição dos passivos ambientais e a inclusão socioeconômica da agricultura familiar.

A estratégia surgiu de uma construção coletiva e participativa de diferentes secretarias de estado, representantes de organizações não governamentais, empresas privadas e entidades representativas de setores da economia do Estado resultando no Decreto nº 468, de 31 de março de 2016, que estabelece a criação de um comitê que irá monitorar, acompanhar a implementação da estratégia e o cumprimento das metas.

Além de reforçar políticas públicas já existentes, como a implementação dos imóveis rurais no Cadastro Ambiental Rural, a estratégia prevê metas para a produção agropecuária e florestal. Entre elas a recuperação de 2,5 Mha de áreas de pastagem de baixa produtividade até 2030 e o aumento da produtividade de 50 para 90 o kgcw/ha/ano até 2030. Na área de produção existem metas para a agricultura (soja, milho e algodão), manejo florestal sustentável e florestas plantadas.

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Além da Amigos da Terra – Amazônia Brasileira são parceiros da iniciativa o Instituto Socioambiental, The Nature Conservancy, Instituto Centro de Vida, World Resource Institute, Instituto Ação Verde, Earth Innovation Institute, IPAM e Enviromental Defense Fundo. Para conhecer as outras entidades representativas clique aqui.

Diretor da Amigos da Terra participa de entrevista com Kaká Werá no programa Roda Vida

Em edição do programa Roda Viva que foi ao ar dia 9 de janeiro na TV Cultura, o escritor e ambientalista Kaká Werá foi entrevistado sobre educação, meio ambiente, saberes tradicionais e as ameaças que as comunidades indígenas de todo o país vêm sofrendo.

Apresentado por Augusto Nunes, o programa contou com a participação de Mauro Armelin, diretor executivo da OSCIP Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, Crislaine de Toledo-Plaça, professora de Ciências Sociais da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP); Helcio de Souza, coordenador de estratégias indígenas da ONG The Nature Conservancy; Helen Braun, apresentadora da rádio Jovem Pan e Edison Veiga, repórter do jornal O Estado de S. Paulo.

De origem indígena, Kaká é fundador do Instituto Arapoty, voltado à difusão dos saberes indígenas por meio da educação e de saberes sociais, e faz parte da rede Ashoka de Empreendedores Sociais. O escritor paulistano também leciona desde 1998 na Universidade da Paz (UNIPAZ), instituição de ensino superior localizada em Díli, capital do Timor-Leste.

Assista ao programa na íntegra:

Opinião: O falso dilema para manter a caixa-preta

Leia o artigo de Mauro J.C Armelin, diretor executivo da Amigos da Terra – Amazônia Brasileira sobre a transparência dos dados do Cadastro Ambiental Rural.

Nas últimas semanas a Confederação Nacional da Agricultura – CNA – e outras organizações do setor agropecuário brasileiro vêm alegando que os dados do Cadastro Ambiental Rural, conhecido pela sigla CAR, precisam ser mantidos sobre sigilo porque coloca em risco a segurança nacional ao dar informações aos países concorrentes sobre nossa produção e potencialidades. Depois do debate esfriar um pouco fica ainda a sensação estranha de escutar, e continuar escutando, um argumento como esse vindo de organizações de classe tão politizadas e antenadas com a tecnologia e demandas dos mercados consumidores.

A agricultura hoje se beneficia de uma parafernália enorme de novas, e velhas, tecnologias que estão envolvidas desde a previsão do tempo até a agricultura de precisão que usa satélites para traçar a rota de seus maquinários em tempos de plantio e colheita. Tudo isso feito por empresas brasileiras e internacionais, mas usando ferramentas de coleta de dados que não ficam sob nosso controle.

E são essas mesmas tecnologias que nos permitem ter imagens com precisões métricas do solo, seu uso ou o que o cobre (vegetação natural, plantios florestais ou agrícolas e pastagens) e, até mesmo, o que se encontra no sub-solo. Ou seja, saber dos limites das propriedades não altera em nada a capacidade dos agricultores estrangeiros, e concorrentes, conhecer nossa produção, produtividade e potencialidades. Essas informações também já estão disponíveis através de várias formas como, por exemplo, através quantidade de insumos agrícolas comercializados, sendo a maior parte por empresas multi-nacionais, dá para se saber o potencial produtivo de algumas commodities.

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II Encontro Fornecedores Indiretos na Pecuária Sustentável

Grupo de Trabalho Fornecedores Indiretos na Pecuária Sustentável realiza segundo encontro

Garantir a origem da carne é uma das principais medidas para combater o desmatamento da Amazônia e diminuir as emissões brasileiras

O setor agropecuário ocupa mais de 60% das áreas desmatadas da Amazônia, esteve envolvido na maior parte dos casos análogos a escravidão, além de ser parte importante nas metas de redução das emissões de gases de efeito estufa, que causam o aquecimento global. E ainda assim, o controle da cadeia produtiva é pouco discutido pela sociedade que ignora a origem do produto que consome nas gôndolas do supermercado e açougues.

Visando dar luz para este cenário e ampliar os debates é que aconteceu no dia 30 novembro, em São Paulo, o segundo encontro do Grupo de Trabalho Fornecedores Indiretos na Pecuária Sustentável, promovido pela Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e a National Wildlife Federation (NWF). Fazem parte da iniciativa representantes do setor produtivo, varejo, instituições financeiras, organizações sociais e sociedade civil.

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FSC Friday 2016

FSC Friday: 20 anos dando ao consumidor o poder de salvar as florestas

Hoje, dia 30, acontece no mundo inteiro o FSC Friday, evento que celebra o bom manejo e a conservação das florestas. Durante todo o dia certificadoras, membros do conselho, cooperativas, empresas e parceiros desenvolverão ações para convidar o consumidor a se engajar na luta pelas florestas. O selo existe há 20 anos, mas ainda precisa da ajuda do consumidor final pra continuar existindo e se fortalecer.

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Cadeia Produtiva da Carne

Grupo de Trabalho é criado para discutir o monitoramento da cadeia produtiva da carne no Brasil

Como garantir que a carne que chega até ao consumidor tenha sua origem atestada? Que não tenha feito uso de mão de obra escrava, que respeitou exigências sanitárias e ambientais? Como estimular o produtor a tornar esse processo transparente e participativo? Essas e muitas outras perguntas motivaram o encontro de representantes do setor produtivo, varejo, sociedade civil, pesquisadores e instituições financeiras que aconteceu ontem (26) em São Paulo. more “Cadeia Produtiva da Carne”

Radiografia da Carne no Brasil

Pesquisa inédita sobre o abate bovino no País mostra que um terço da carne que chega à mesa do brasileiro não passa sequer por inspeção. O trabalho, realizado ao longo de oito meses pela OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) Amigos da Terra – Amazônia Brasileira foi lançado no Congresso Nacional, em audiências públicas marcadas no Senado e na Câmara dos Deputados. more “Radiografia da Carne no Brasil”

Agenda Única da Boa Carne

A Amigos da Terra Amazônia – Brasileira apresenta a página AGENDA ÚNICA DA BOA CARNE, que nasceu do diálogo entre diversos setores da cadeia produtiva da carne, constatando a sinergia entre industria, varejo, academia, órgãos do governo, sociedade civil, entre outros. more “Agenda Única da Boa Carne”