Da intenção à ação: nasce um fundo que pode mudar o futuro das florestas
O TFFF (Tropical Forest Finance Facility), fundo global que cria um mecanismo de financiamento de grande escala voltado à conservação e valorização das florestas tropicais úmidas, foi lançado nesta quinta-feira (6) e representa uma solução madura, construída a partir de experiências testadas em diversos contextos.
Às vésperas da Conferência do Clima, o anúncio é muito bem-vindo, uma vez que há muitas COPs esperamos por decisões mais assertivas para conter a crise climática. Essas decisões não acontecem, muitas vezes, justamente por uma ausência de recursos econômicos que subsidiem soluções para uma transição justa e o apoio das populações mais vulneráveis.
Temos muito a comemorar com a adesão da Noruega e da França, que, junto com Brasil e Indonésia, irão aplicar mais de US$5 bilhões no fundo. A esse movimento, soma-se agora a manifestação de apoio da Alemanha, um sinal inequívoco de que grandes economias reconhecem a urgência e a relevância de mecanismos financeiros, inovadores ou tradicionais, para a proteção das florestas tropicais. Esse engajamento reforça a credibilidade do TFFF e amplia sua capacidade de mobilizar recursos adicionais, criando um efeito multiplicador essencial para atingir escala global.
O TFFF se baseia em um modelo tradicional de investimento, e é justamente isso que o torna viável. Apenas com esses mecanismos financeiros teremos os recursos necessários para fazer com que a conservação aconteça na escala necessária. O modelo cria incentivos concretos para que governos e comunidades locais se engajem na conservação. Além disso, o TFFF garante previsibilidade de recursos a médio e longo prazo, possibilitando um planejamento sustentável e um combate mais eficaz à ilegalidade.
A manifestação dos países não é apenas um gesto diplomático, é um compromisso que sinaliza confiança no TFFF e na capacidade coletiva de transformar intenções em ações concretas. Com esse apoio, o fundo se consolida como uma ferramenta estratégica para alinhar conservação, desenvolvimento e justiça climática, abrindo caminho para um futuro em que as florestas tropicais sejam valorizadas como ativos essenciais para a vida no planeta.
Por: Mauro Armelin

