Mapa do caminho para fim dos combustíveis fósseis
Por Aldrey Riechel e Nicole Matos
Todo mundo sabe que para manter o mundo “apenas” 1,5º mais aquecido do que na era pré-industrial é preciso lidar com o principal emissor: as queimas dos combustíveis fósseis.
Toda Conferência do Clima, ou pelo menos nas últimas, onde os países debatem como reduzir as emissões, evitam apenas um tema: o fim dos combustíveis fósseis.
Imagina a felicidade de toda a torcida (observadores) quando o Brasil anunciou que faria um Mapa do Caminho Para Acabar com os Combustíveis Fósseis. Não era para reduzir, mitigar, era um mapa para acabar! Ou seja, a COP sendo uma COP! Felicidade total.
Até acontecer o incêndio da Zona Azul, a ONU declarar que não era mais Zona Azul, depois apagarem o fogo, voltar a ser Zona Azul, tudo mudar, e deixarem o mapa virar cinzas.
Mas o governo brasileiro não se deu por vencido. Como cerca de 80 países estavam favoráveis ao acordo, há uma expectativa de que o tema ainda possa ganhar fôlego, já que André Corrêa do Lago, presidente da COP, fica no cargo até a próxima conferência, no ano que vem, na Turquia. Claro que queríamos um consenso, mas certos países não aceitam.
O governo brasileiro decidiu avançar por conta própria. Lula determinou que quatro ministérios: Minas e Energia, Fazenda, Meio Ambiente e Casa Civil, elaborem, em até 60 dias, uma proposta de resolução que servirá de diretriz para o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), para o Brasil fazer sua “redução gradativa da dependência de combustíveis fósseis”.
Notem, não é mais eliminação, é “redução gradativa da dependência”.
De toda forma, a decisão foi publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira (8) e funciona como um recado direto ao impasse internacional visto na COP30, em Belém.
O plano brasileiro deverá delinear como reduzir, gradualmente, a dependência de fósseis. Também deve propor mecanismos de financiamento, incluindo a criação do esperado Fundo para a Transição Energética, alimentado por parte das receitas do próprio petróleo e gás.
O que não fica muito claro é se vai ser preciso investir mais em combustíveis fósseis, para aumentar receita e investir em redução dos combustíveis fósseis (!?) Ainda mais quando o presidente defende explorar petróleo no Brasil “até a última gota”. A conta tá um pouco confusa.
Enquanto defende no plano internacional o afastamento dos combustíveis fósseis, o país segue aprovando medidas que prolongam a vida da indústria do carvão mineral. É a contradição que mina a credibilidade e que precisa ser enfrentada de frente.
Se o Brasil, país em desenvolvimento e oitavo maior produtor de petróleo do mundo, demonstrar que está disposto a seguir o que prega, fica mais difícil para que outros países aleguem dificuldade. Mostrar consistência entre discurso e prática é, neste momento, um ato de liderança.Uma boa ideia para quem quer criar um mapa a ser seguido! O Brasil precisará provar que está pronto para mudar para influenciar outros países no caminho.
Obs.: notaram que nem citamos Foz do Amazonas? Viu, como estamos sendo gentis.


